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28 de jan de 2010

A sombra da maldade

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Andrea Pavlovitsch
Assisti ontem na TV o programa do Caco Barcelos, "Profissão: repórter". Um programa muito interessante no meio de um monte de sensacionalismo e mentira sobre as enchentes em Santa Catarina. Uma das partes do programa me chamou bastante a atenção. A repórter jovem, de cabelos curtos e pretos cujo nome me foge no momento, registrava o saque a um supermercado da região, tomado pela água e pelas pessoas.

As pessoas levavam tudo o que podiam carregar. Os caixas do supermercado, tudo o que encontraram nas gôndolas: comida, água, bebidas, TV de plasma, os freezers do supermercado (não o que eles vendiam, mas os que guardavam a comida mesmo) e tudo mais o que encontrassem pela frente. O gerente disse que, de lá, só se salvaria o teto e as paredes. O resto todo havia sido saqueado ou inundado.

Isso me lembrou muito uma cena do filme "Ensaio sobre a cegueira" baseado no livro de José Saramago. Ele conta a história de uma cidade acometida por um surto de cegueira. As pessoas contaminadas são, inicialmente, levadas para um abrigo e isoladas. Depois que fogem, percebem que toda a cidade está na mesma situação. Em determinado momento, eles invadem e saqueiam um supermercado, da mesma maneira que vi ontem na TV.

O ser humano é uma coisa estranha. Somos tão cheios de pudores, de moralidades, de máscaras, mas em situações em que é matar ou morrer, geralmente matamos. As pessoas pegavam o que achavam no chão para comer. Pegavam porque tinham perdido tudo e precisavam, mas também porque era uma chance de ter coisas que não conseguiriam de outra maneira. Todos ali estavam na mesma situação. Não importava se, outrora, eram ricos, bonitos e bem sucedidos. Naquele momento era só gente faminta e desesperada por qualquer coisa que lhes devolvesse algum resquício de dignidade, mesmo que seja estranho usar esta palavra.

Precisamos tomar cuidado com nossas ações a todo o momento e não somente na parte boa da história. É fácil ser moralista numa situação de ter casa e comida a vontade. Difícil é achar alguma moral com água e lama pela cintura. Isso porque a moral não é nossa, não é da alma. Moral é o que inventamos para viver em sociedade mas, infelizmente, esquecemos que era só um papel de se interpretar.

Começo a pensar por que o Universo escolheu Santa Catarina para passar pelo que eles estão passando. Eu já tinha visto isso em filmes ou em locais ermos que nunca nem ouvimos falar mas, se está no nosso quintal, é porque tem a ver com a gente. Será que é para ver a lama na qual estamos nos afundando? O mar de lama que virou o estado todo é o mar de lama que todo o nosso país vem enfrentando? O que a enchente, a morte e essa desumanização estão querendo nos dizer?

Eu arrisco dizer que é hora de baixar as máscaras e de sermos mais nós mesmos. De esquecer essa hipocrisia toda que diz que nunca faríamos isso ou aquilo. Na hora em que a água bate que o desespero toma conta, somos sim capazes de tudo. Mesmo você sendo uma modelo famosa, ou um agricultor, todos podemos ser mais humildes. Não no sentido de se humilhar para os outros, mas no sentido de sermos mais nós mesmos e admitirmos as nossas fraquezas e aquelas características da nossa sombra. Ela está aí, a todo o momento, querendo sempre nos dizer que somos humanos e passíveis de uma série de coisas que não admitiríamos. Então porque fingir que somos bonzinhos, legais e bacanas 100% do tempo? Não somos. Somos ruins também, também saqueamos nossas almas e as almas dos nossos entes queridos. Também entramos em pânico, em desespero e isso não nos fazem fracos, e sim humanos.

As tragédias públicas sempre vão continuar nos dizendo isso. Que não existem culpados a não ser nós mesmos. E que precisamos, sempre, olhar para o nosso umbigo antes de apontar o dedo na cara do outro. Não sabemos o que será do nosso amanhã. Nunca.

Andrea Pavlovitsch
Psicoterapeuta
(11)4105 4674

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