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7 de fev de 2012

O homem que vendeu a alma para o Diabo (relato)



Era um dia cinzento, em que nuvens roxas escuras pairavam baixas no céu, quando uma carta chegou às mãos de Edgie Whoolhy.
As feições do rosto de Edgie mudaram quando viu o remetente. Era uma correspondência enviada por seu velho amigo Sett Anderson.
Edgie passou a mão grande e forte nos longos cabelos loiros e lisos, tirando-os da testa larga e cumprida. Seus olhos verdes fitaram intensamente a carta após tirá-la do envelope pardo. Abrindo a folha amarelada, que estava dobrada em quatro partes, ele leu o manuscrito com a letra do amigo que ele não via há pelo menos uma primavera.
“Meu caro amigo Edgie, anseio em vê-lo o mais breve possível. Estou muito adoentado e preciso de você. Tenho que lhe contar algo que fiz. Venha rápido, eu estou morrendo. Morrendo. E não quero partir antes de vê-lo, meu grande e fiel amigo.”
Os músculos dos braços de Edgie se contraíram, e ele mordeu o lábio inferior. Sempre o fazia quando estava nervoso.
Sett teve problemas no passado quando seu gado morreu e ele teve suas propriedades tomadas pela hipoteca. Mas logo ele se ergueu de seu fracasso e começou a enriquecer da noite para o dia. Hoje morava num sítio de luxo em Vale do Luar. Os negócios prosperavam.
Edgie se trocou, vestiu calça jeans, uma camisa preta apertada e sobre esta colocou uma jaqueta de couro. Novamente passou a mão pelo cabelo, jogando-o para trás. Pegou seu cavalo negro e rumou para o sítio do amigo.
Raios azul-brilhantes serpenteavam no céu de nuvens cinzentas e opressoras. Trovões rugiam furiosos, como rosnados de uma legião de leões famintos.
A cavalgada negra pela estrada escura, deserta e sinuosa começava. O vento furioso agitava os galhos das árvores que ladeavam o caminho.
O corcel negro ia a toda velocidade, o som dos trovões se misturando ao vento e o batuque dos cascos com ferradura do animal soava como uma balada sinistra na noite agitada.
Vez ou outra, por uma brecha nas nuvens densas, uma lua cheia surgia, brilhando pálida como uma caveira.
Edgie não tinha outro pensamento em sua mente, enquanto seus cabelos se agitavam selvagemente ao sabor do vento, senão chegar à presença de Sett.
Duas horas exatas depois ele chegou ao sítio do amigo. Desceu do cavalo e bateu na porta de madeira polida e envernizada.
Silêncio.
Bateu de novo, mais forte desta vez.
Escutou e ouviu uma voz no interior da casa mandando-o entrar. Edgie obedeceu. A porta estava destrancada.
O interior da casa estava quente. Na lareira, um fogo vermelho-alaranjado crepitava silencioso.
Edgie andou até o quarto de Sett e entrou pela porta aberta. Deitado num leito solitário estava Sett. Seu rosto tinha uma expressão de dor, mas não estava pálido nem com olheiras, como imaginou Edgie.
-Sett - murmurou Edgie, ao vê-lo na penumbra.
-Eis um velho amigo que viajou muito por minha causa - a voz de Sett saía esganiçada e pausada – É bom revê-lo. Acomode-se - ele apontou uma cadeira posta ao lado da cama onde estava o homem magro, de cabelos lisos e curtos, de cor negra como a noite, coberto por um grosso edredom.
Sett ajeitou os óculos de grau de armação prateada e esforçou um riso.
Edgie foi até ele. Os dois se abraçaram. O loiro alto, de pele bem bronzeada, sentou-se na cadeira ao lado do leito. O outro, de pele muito clara, olhos azuis como estrelas e rosto de galã de cinema, sentou-se, apoiando as costas no travesseiro branco.
-O que está havendo com você, Sett?
O outro suspirou longamente antes de responder, como se procurasse encontrar as palavras certas, e por fim, articulando uma voz falhada, disse:
-Eu vendi a alma pro diabo!
-O quê? - as linhas da testa de Edgie se contraíram, assim como toda sua expressão, desfigurando seu rosto bonito e jovial, para uma face de reprovação e ódio – Não acredito.
-Eu sinto muito, mas eu fiz isso - ele evitava olhar Edgie nos olhos – Depois que eu perdi tudo, minhas fazendas, meu gado, minha esposa, foi tudo que me restou: implorar ao demônio uma ajuda. Mas o preço era alto.
-Não acredito que ser humano algum faria uma besteira igual a sua.- lamentou Edgie, irritado, levantando-se abruptamente da cadeira, que caiu no chão com um baque. Em seguida um trovão soou distante dali.
-Eu tive de fazer isso. Tente entender.
Edgie nada disse. Um silêncio pesado o silenciou. Ele tinha os olhos apertados no amigo.
-Sete anos - articulou Sett, numa voz surda – Hoje é o dia em que o demônio vem buscar o pagamento por tudo que consegui, a alma.
E aí, de um segundo para o outro, trovões, os mais barulhentos, começaram a surgir como explosões que abalavam o solo. Inúmeros timbres de vozes inumanas começaram a ecoar por todo o quarto. Eram lamentos tristes e sinistros. E uivos apavorantes. Demoníacos. E um pavoroso odor de enxofre.
-É o demônio - garantiu Sett. Havia uma certeza convicta em sua voz, percebeu Edgie.
No momento seguinte os dois homens viram, com horror, três sombras entrarem pela porta do aposento, iluminado apenas por um lampião que encimava um criado mudo.
As três sombras foram ganhando forma, uma aparência quase humana.
O da direita se manifestou primeiro. Tinha um corpo de homem, trajado com armaduras pontudas, que lhe cobriam as pernas, cintura, dorso, ombros e braços. As armaduras brilhavam intensamente, um roxo-florescente, como o lendário diamante do mundos dos mortos, chamado de Sápuris, que dizem não ser conhecido pelos mortais.
Esse demônio tinha um rosto pálido, de olhos negros, nariz fino e empinado, testa fina e cabelos longos e lisos, de um negro absoluto.
O da esquerda se materializou em seguida. Igualmente usava armadura, adornada de forma diferente, com símbolos místicos e mais pontas afiadas. Seu rosto era comprido e fino, com olhos que exalavam ódio. Grossas sobrancelhas sobre olhos brancos pequenos, cerrados em Edgie. O cabelo era curto e estava arrepiado para cima.
O do meio apareceu também. Tinha armadura e era maior que os outros dois. Os ombros eram enormes como duas cabeças de touro. Corpulento e repulsivo, este tinha um belo rosto, de maçãs bem delineadas, covinha no queixo, nariz fino e vistoso, testa larga e comprida, olhos azul-acinzentado e lábios ternos e avermelhados. Sua pele era bronzeada e lisa. A cabeleira era loira, lisa e longa.
-Nós somos três, dos quatro príncipes coroados do inferno - apresentou-se o que estava no meio, num timbre de voz majestoso – Eu sou o onipresente e onipotente Lúcifer!
-Eu sou Belial! - riu o da direita ao se apresentar.
-Leviatã - murmurou o que estava à esquerda de Lúcifer – Viemos buscar a alma oferecida em troca dos desejos de riquezas e luxúrias realizados por nós.
-E então, Edgie? - Belial apontou para ele – Vai se suicidar ou prefere que arranquemos sua alma a força? Como vai ser?
-O quê? - espantou-se Edgie, dando um passo para trás.
-Você não contou nada para ele, Sett? - indagou Leviatã, lançando um olhar para Sett.
Este nada disse. Apenas focou sua visão num ponto qualquer do aposento.
-Do que ele está falando, Sett? - indagou Edgie, olhando para o amigo.
-Eu vou lhe contar - começou Belial – Sett nos ofereceu a sua alma em troca de tudo que lhe damos. E nós viemos buscar.
-O quê? - gritou Edgie, aturdido. E se voltou para Sett – O que ele falou é verdade?
Sett tentou evitar o olhar de Edgie e em silêncio se levantou da cama. Mas Edgie o pegou pela camisa e repetiu a pergunta, berrando para o outro.
-Sim - gritou Sett, empurrando Edgie e gritando para os demônios - Façam logo o que vieram fazer.
“Então ele me traiu. Me enganou esse tempo todo.” Lamentou-se Edgie consigo mesmo. Lágrimas brotaram em seus olhos e escorreram por sua face.
-Oh! Não chore agora - zombou Leviatâ.
-É desperdício de sofrimento - emendou Belial – Guarde as lágrimas para o inferno.
-Chega desse falatório - ordenou Lúcifer – Leviatã e Belial, arranquem a alma de Edgie agora.
-Sim senhor - disseram ambos em uníssono.
Em seguida atacaram Edgie com seus punhos cerrados. Socando sua cara, chutando seu estômago, esmurrando seu peito. Parecia uma luta livre. Os dois demônios repulsivos se divertiam massacrando o pobre homem musculoso, que nem sequer conseguia se defender.
Os demônios o arrastaram para fora da casa, onde, sobre a grama molhada, continuaram a espancá-lo. Edgie sentia suas costelas quebrando, o sangue jorrando de sua boca. Ele caiu de cara na grama. Parecia apagado. O sangue escorria pelo nariz e boca.
-Já se divertiram muito - disse Lúcifer, que esteve parado, só observando, como Sett ao seu lado – Agora matem-no!
Os dois tiraram adagas da cintura e iam retalhar Edgie, quando este abriu os olhos e pôs-se de pé, o corpo oscilando, parecendo querer cair, mas ele lutava para manter-se ereto.
-O quê?! - surpreendeu-se Leviatã – Como ousa ficar de pé?
-Vamos retalhá-lo, miserável! - gritou Belial.
Ambos os demônios correram para atacar Edgie. O último ataque.
-Aaaahhhhhh!!! - rugiu Edgie, como um leão, cerrando os punhos e os erguendo para contra atacar os dois demônios.
Os punhos de Edgie agarraram os pescoços dos dois. Seus braços os ergueram no ar como se eles fossem bonecos. Usando uma força descomunal, Edgie fez suas cabeças se chocarem uma com a outra, num baque surdo. Os dois caíram. Tontos.
E viram raios azulados, como relâmpagos, saírem das mãos de Edgie e atingirem os dois demônios que acabavam de se erguer. Ambos gritaram e se contorceram. Os raios cessaram. Os olhos de Edgie exalavam ódio.
Lúcifer assistia a tudo boquiaberto. Assim como Sett.
-Desgraçado - xingou Belial – Não sei como um inútil mortal como você fez isso, mas vai se arrepender.
-Vamos destruir todo o seu corpo e torturá-lo para sempre no inferno.
Ambos se ergueram novamente e atacaram Edgie, gritando:
-Explosão do fogo do inferno!!!
Uma explosão devastadora vinha contra Edgie, que gritou e ergueu as mãos. Uma explosão infinitamente devastadora, como uma bomba nuclear se formou diante dele e disparou contra os dois demônios.
As explosões se chocaram em pleno ar. Um barulho ensurdecedor abalou todo o lugar. Segundos depois uma fumaça preta cobriu tudo. Em seguida a fumaça se dissipou e Lúcifer viu, com assombro nos olhos, seus dois súditos aos pedaços no chão esburacado. A grama sumira. Uma chuva fina de terra caía do céu.
-Como??? - balbuciou Lúcifer, incrédulo.
Edgie estava de pé. O corpo tremia, as roupas estavam rasgadas. A pela manchada de preto. Os dentes cerrados. Ele olhou para Lúcifer e viu os restos esfrangalhados de Sett ao seu lado. Ele não resistiu à explosão.
-Então você é ele?! - murmurou Lúcifer – O homem mais próximo de Deus. Um homem normal, mas cuja meditação o torna capaz de verdadeiros milagres. Você acabou de fazer o que eu chamo de impossível, destroçar dois demônios poderosos do real palácio do inferno.
-Mas você conseguiu se vingar não é? - Lúcifer riu, olhando para a cabeça dilacerada de Sett no chão – Isso te faz sentir melhor?
-Demente filho de mil pais, Sett era meu amigo - gritou Edgie. Lágrimas quentes desciam por sua face contorcida numa expressão de dor e ódio.
-Mas o que diabos você está dizendo? - indagou o príncipe do inferno – Ele te traiu, vendeu sua alma em troca de seus próprios objetivos. Sett tentou te ferrar, não vê isso?
-Errar é humano - murmurou Edgie, entre dentes, fitando cegamente a cabeça de Sett. Ainda havia um globo ocular em uma das órbitas, que o olhava melancólico - Ser humano algum vive sem errar. E foi você Lúcifer, seu demônio filho da puta, que se aproveitou da fraqueza de Sett para iludi-lo com suas promessas enganosas. Tenho pena de você Lúcifer. Pena de todos que o seguem.
-Cale-se! - bradou Lúcifer, sua voz saiu de sua boca como um trovão furioso – Como ousa falar assim com aquele que criou o inferno? Eu sou um Deus, seu verme miserável.
Lúcifer cerrou os punhos e se aproximou de Edgie. Os olhos do imperador do mundo inferior ganharam uma cor vermelha, como as chamas que queimam no inferno.
-Vim aqui tomar a sua vida e o farei - ameaçou Lúcifer.
-Não tenho medo - Edgie fechou os olhos e se concentrou. Sentiu seu corpo se inflamar em chamas cósmicas. Então abriu os olhos - Vou te enviar novamente ao inferno, anjo caído!
-Cale-se e sinta o poder máximo do criador do inferno - ergueu as mãos para o céu e abriu um portal negro em pleno ar – Que as ondas sonoras do inferno te suguem.
Edgie gritou. Contraiu todos os músculos de seu corpo. E mais uma vez fez um milagre acontecer. O poder de seu subconsciente fez gerar uma explosão devastadora, que provinha do fundo da alma de Edgie. E o Deus do inferno soube o que era aquilo.
-Impossível. Essa energia é equivalente ao poder destrutivo do big bang, mas como??? Como? Como? Como?
A gigantesca explosão liberada por Edgie repeliu as ondas infernais de Lúcifer e o fez rodopiar nos ares como um boneco de pano. Sua armadura se desfez em milhares de pedaços minúsculos. O poder destrutivo rasgou o céu e expulsou as nuvens de chuva.
Como um anjo sem asas Lúcifer caiu, enterrando sua bela face na terra esburacada. Do seu corpo saía sangue vermelho-brilhante, que escorria em filetes.
Ele se ergueu, cambaleando, com as pernas bambas e o corpo tremendo em espasmos. E viu a sombra na fumaça escura que descia do céu como uma cortina. Quando ele pode ver melhor, ali estava Edgie, de pé, olhando-o em silêncio. A respiração ofegante, o corpo molhado pelo suor que fluía de sua pele.
-Você não é humano - balbuciou Lúcifer, erguendo uma das mãos na direção do outro – Um homem não consegue tamanho poder. Nem sequer um exército de dois mil homens conseguiria tal feito. Quem diabos é você?
-Eu sou Edgie Whoolly. Apenas um homem nascido e criado aqui na terra como qualquer outro - falou numa voz gutural – Foi você e suas maldades quem despertou todo esse poder em mim - ele forçou um sorriso, revelando seus dentes brancos.
Lúcifer engasgou, vomitando uma bola de sangue vermelho-púrpura. Tentou balbuciar alguma coisa, mas sem sucesso, então desabou no chão, onde ficou imóvel.
Edgie saiu dali. Pegou o seu corcel e cavalgou de volta para casa. A noite foi muito agitada para ele, que lamentava a perda de um amigo.
“Não vou considerar sua traição como uma sacanagem, meu caro Sett, mas sim como uma valiosa lição. Afinal sua morte não foi em vão, ela despertou em mim um poder que jamais sonhei que tinha. Em seu nome eu o usarei apenas para o bem. Eu juro por sua alma, meu amigo.” Lágrimas rolavam pelo rosto de Edgie, enquanto um sorriso emocionado se formava em seu belo rosto.


-Lúcifer, acorde - sussurrou uma voz.
Lúcifer se ergueu, ficando de joelhos e olhou para o ser ao seu lado.
-Abel!? - surpreendeu-se.
-Sou eu mesmo - assentiu e riu. O Deus Abel, trajando vestimentas amarelas e brancas. Seu cabelo ruivo agitava-se ao sabor do vento com o aroma adocicado que soprava.
-O que o Deus Sol faz aqui? - Lúcifer falava com dificuldade, o rosto inchado e sangrando.
-Estive vendo vocês lutarem - disse – que patético. Lúcifer, Belial e Leviatã derrotados por um mortal.
-O poder daquele homem era...
-Ele é como qualquer outro - interrompeu-o Abel – Você se esqueceu, Lúcifer?
-O quê?
-Zeus concedeu a todos os mortais o poder de fazer milagres - começou Abel, olhando as estrelas que enchiam o céu da madrugada silenciosa – Você e os outros demônios não passam de anjos que se rebelaram contra Deus. Não podem morrer, mas não têm sequer um décimo de força de um humano. Vocês só conseguiriam derrotá-lo se ele se acovardasse. O que não foi o caso.
-Você quer dizer que nós, os demônios, somos todos fracassados? - Lúcifer ficou de pé encarando Abel.
-É isso mesmo. Você sabe disso melhor do que qualquer outro. Apenas nós, os Deuses do Senhor, somos mais fortes que os humanos.
Ele viu lágrimas nos olhos de Lúcifer. E também viu dor. - Você tem razão, mas eu iludirei e enganarei os homens e os desviarei do caminho de Zeus. Ao menos assim eu posso atingi-los.
-Você é mesmo um tolo, Lúcifer - gargalhou Abel – Zeus ama os seres humanos que o adoram, mas aqueles que lhe traem são odiados.
-Seu...- começou Lúcifer, mas Abel o conteve, apontando-lhe um dedo na face.
-Não ouse blasfemar contra mim, o Deus Sol, ou seu castigo será cruel, anjo lúcifer.
-Desculpe-me - redimiu-se.
-Eu vim aqui para dizer que seu tempo na terra acabou por hoje - falou Abel, com firmeza – Queira retornar àquele lugar pútrido que você chama de inferno.
-Sim – murmurou Lúcifer. Fez um buraco negro se abrir em pleno ar e pulou nele, desaparecendo em seguida.
Abel olhou para o céu, ergueu a mão direita e disse:
- É hora de você brilhar, sol, e queimar toda a impureza deixada pelos vermes que escaparam do inferno.


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